Está tudo tão nostálgico e incerto, como aquele antes, onde eu parava para pensar e parava, para pensar! E às vezes é tão óbvio que estamos sendo tolos, insistindo nas folhas secas que não mais brilham de um amarelo-sol. E é claro, como a certeza mais cartesiana, de que as coisas continuarão a ser como são, como eram, como tem de ser, mesmo. E fico eu, nessa minha insistência, esperando pelo que, nessas minhas suposições, poderia dar certo. Não vai! Já é, já está, já foi, era, era de Era, de uma Era incompleta. Mas então, aí reside a minha resistência, nessa incompletude, no que não se acertou. Poderia, ao menos, ter ficado bem claro que éramos vidas de cabeças-atoas, bem independentes. Mas há, meu desejo chorão é de que haja um resquício menos racional de... de carinho? E me dói mais ainda é que deixastes eu partir, como naquela canção, do "You Sent Me Flying". E porquê? E pra quê? Se poderíamos ser uma única cabeça, ou até cabeças partidas, mas de um entendimento qualquer...
segunda-feira, 19 de março de 2012
"Pra não dizer que não falei..."
É como se eu estivesse ao som daquela música engajada, encaminhando-me com a multidão na direção da luta, da liberdade, de "peito aberto", com gritos cada vez mais audíveis e se intensificando... E ao mesmo tempo, estou na mesma sala pouco iluminada, só luminária e minha velha xícara de café. Mas meu ímpeto é o mesmo, sinto-me rodeado por um multidão revolta, compartilhando o mesmo sentimento, dono de um mesmo ideal de luta por liberdade. E então, não estou livre? Talvez sim, talvez sim... sempre nessa incerteza. É que me incomoda o fato de a vida nunca ter me dado uma certeza. E permaneço eu, impetuoso, gritando ao vento que leva meu murmúrio alto... já não grito. Sempre estive aqui, manterei minha luminária acesa. Em tempos de tensão, nuvens de orgulho pairam sobre nossa cabeça. É a racionalidade falando mais alto, é o som interior de que a revolta agora é minha. E só minha.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
"ArejAí"
Não estou disposto a amizades voláteis, a pessoas que vem e vão, a flores que me encantam e imediatamente me entristecem por murcharem. Não! Estou em dívidas comigo mesmo por ter passado um longo tempo esperando a graça das pessoas, o prometido riso do passarinho, "a sorte de um amor tranquilo". Decidi dar mais tempo às coisas que não tem tempo marcado e curtir a duração despretensiosa daquilo que não tem pretensão alguma. Sim! É assim meu caro, estou pronto pra pular janelas, correr atrás de cão vira-lata serelepe, gritar pela Dona Cila e ouvir, sereno, o seu cântico. Quero uma vida dessas de incertezas pacíficas, não mais aquela indecisão violenta, tão atentada em me perturbar. Insisto em pensar num amor diferente, mas não persisto, tolo, na ideia de correr desesperado à sua procura; quero mais é que o tal do amor venha ao meu encontro e que tranquilos possamos desfrutar a beleza de um viver arejado.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Nadando num aquário
How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here
Pink Floyd
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
A vida inventou mesmo de me dar uma lição definitiva. Não, não e não adianta tentar trapacear. Estamos, em suma, a viver um jogo de mão única, pautado em apostas incertas, em lances de azar e em questionamentos vindouros. Até ontem me vangloriava pela minha condição de felicidade, até ontem as coisas me sorriam sem motivo aparente, até ontem, mesmo, estava tudo certo pra dar tudo certo, pra coisas do tipo: viajar com magnólias, pular com macacos, atrapalhar-se com girafas animadas. Mas, aí está a vida em sua peculiaridade, tão desejosa de nos enganar ela, trata inicialmente, de fazer com que sintamos a doce ilusão da felicidade. E não bastasse essa ilusão ela inventa as mais virtuosas peripécias e, como num lance de revolta, tal vida bem vivida e bem sábia de todos os meandros da safadeza, trata de nos derrubar. Paf! Estamos de volta no nível dos igualados; é meu caro. Viver tem dessas, é sendo derrubado que se aprende e é estando no mesmo nível que se subjuga aos mandamentos incertos desse doce viver.
sábado, 9 de julho de 2011
ATO I
ainda penso que a vida não me quer ser grata. na verdade ela quer ser traiçoeira, esquiva, quer que eu viva a correr atrás dela, pelas ruas, becos, vielas e rolando os barrancos. mas me deu uma canseira viu? me deu uma vontade imensa de ficar aqui, nesse meu cantinho, curtindo um-não-sei-o-quê-de-solidão! sei que me é mais cômodo, mais seguro e que ela - a vida - corra atrás de mim agora. aí, então, farei questão de cantar cada letra daquela música amarga que eu era obrigado a dançar.
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