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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

"ArejAí"



Não estou disposto a amizades voláteis, a pessoas que vem e vão, a flores que me encantam e imediatamente me entristecem por murcharem. Não! Estou em dívidas comigo mesmo por ter passado um longo tempo esperando a graça das pessoas, o prometido riso do passarinho, "a sorte de um amor tranquilo". Decidi dar mais tempo às coisas que não tem tempo marcado e curtir a duração despretensiosa daquilo que não tem pretensão alguma. Sim! É assim meu caro, estou pronto pra pular janelas, correr atrás de cão vira-lata serelepe, gritar pela Dona Cila e ouvir, sereno, o seu cântico. Quero uma vida dessas de incertezas pacíficas, não mais aquela indecisão violenta, tão atentada em me perturbar. Insisto em pensar num amor diferente, mas não persisto, tolo, na ideia de correr desesperado à sua procura; quero mais é que o tal do amor venha ao meu encontro e que tranquilos possamos desfrutar a beleza de um viver arejado.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

É assim: vez enquando, uma coisa só começa mesmo a existir quando você também começa a prestar atenção na existência dela. Quando a gente começa a gostar duma pessoa, é bem assim.

Caio Fernando Abreu

Nadando num aquário




How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here

Pink Floyd

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011



A vida inventou mesmo de me dar uma lição definitiva. Não, não e não adianta tentar trapacear. Estamos, em suma, a viver um jogo de mão única, pautado em apostas incertas, em lances de azar e em questionamentos vindouros. Até ontem me vangloriava pela minha condição de felicidade, até ontem as coisas me sorriam sem motivo aparente, até ontem, mesmo, estava tudo certo pra dar tudo certo, pra coisas do tipo: viajar com magnólias, pular com macacos, atrapalhar-se com girafas animadas.  Mas, aí está a vida em sua peculiaridade, tão desejosa de nos enganar ela, trata inicialmente, de fazer com que sintamos a doce ilusão da felicidade. E não bastasse essa ilusão ela inventa as mais virtuosas peripécias e, como num lance de revolta, tal vida bem vivida e bem sábia de todos os meandros da safadeza, trata de nos derrubar. Paf! Estamos de volta no nível dos igualados; é meu caro. Viver tem dessas, é sendo derrubado que se aprende e é estando no mesmo nível que se subjuga aos mandamentos incertos desse doce viver.

sábado, 9 de julho de 2011

ATO I

ainda penso que a vida não me quer ser grata. na verdade ela quer ser traiçoeira, esquiva, quer que eu viva a correr atrás dela, pelas ruas, becos, vielas e rolando os barrancos. mas me deu uma canseira viu? me deu uma vontade imensa de ficar aqui, nesse meu cantinho, curtindo um-não-sei-o-quê-de-solidão! sei que me é mais cômodo, mais seguro e que ela - a vida - corra atrás de mim agora. aí, então, farei questão  de cantar cada letra daquela música amarga que eu era obrigado a dançar.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Quando não tenho mais nada

O que há de mais branco no meu vazio?  Se penso que vejo, engano-me, são apenas lagartixas atônitas e o sol a me cegar. Não há nada de novo nem de novo.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Através da linha torta



Tenho tempo pra dizer pra mim mesmo que a vida é um linha torta, com curvas ascendentes e descendentes e tantas outras construções. Tenho até tempo pra desmentir meus medos, esquecê-los, filtrá-los e enfim saná-los. Sei que há tempo pra tudo isso, mas no fim não há vontade de fazer tudo isso e tudo termina incompleto, indefinido, estranho, como uma vida rotineira. Ontem mesmo achei-me idiota, pensando que os outros pensam no que estamos pensando. Ninguém pensa como a gente e no fim das contas cada um pensa de um modo e eu devo mesmo é pensar em mim, olhar pra vida, apreender suas curvas pra não tropeçar pelo caminho. E se eu cair? Levantarei-me e continuarei a viver, até por que nada melhor do que ter uma vida de surpresas, um dia agente cai outro se levanta, o que não podemos é parar no caminho, senão nos misturamos à linha da vida e quem se torna torto somos nós.